Universidade Invisível
quinta-feira, março 09, 2006
  A descoberta do Homem
Foram anos difíceis; tanto que um dia precisou de algumas doses de doping. Amnésia forçada, auto-ele mesmo. O tempo foi passando, diriam horrorizados com semblante superior e idéias à prova de nada: “ele está fora de si...”. Estranho, foi justamente aí que se viu pela primeira vez. E depois de tanto tempo de sobrevida... Seus olhos de prisma visitaram seus eu-Homem, eu-trabalho, o eu-marido, eu-feliz. Curto tempo, quase tudo. Coerente como lhe cobravam: interesses da Direita e a burocracia da Esquerda: radicalmente complexo: foi quase nada sendo quase tudo! Revoltou-se contra todos aqueles que se passaram por ele-Homem nos últimos anos; assassinou semblantes, voltou-se para si e, quando acordei...

Quando acordei e te vi, neste exato momento, aí, sentado nesta poltrona, deitado na tua mísera e enorme cama, de tanta solidão, ou qualquer outro lugar que estivesse com meu livro em tua mão, eu desisti... E é você mesmo!

Eu desisti!

Pergunta-me: “Agora!?”. Sim, afinal de contas, o que faria com a reflexão sobre as paginas anteriores (se é que me entende: “reflexão”... aliás, outro motivo de desistência!)?

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Será? Será que é só isso? Tudo isso?

Não, não é só isso... Desacredite deste livro. Da submissão sobre mim. De qualquer admirar artístico. Feche-o! Vá se investigar, pensar sobre os motivos que lhe fizeram acreditar na página anterior (e olha que seria uma “bela” obra, não seria?) e tanto criticar o Paulo Coelho (ou não), amar tua esposa (ou não) ,......................................
; e faça depois o que quiser com a descoberta: mude, ou não. Pense no orgulho do leitor, no orgulho do escritor. Só não caia na tentação de não tratar esse livro como um espelho mesmo ele sendo apenas um livro... e mesmo ele não sendo...

O que acontece contigo? Que coração mais duro te deixou o Carlos, o Mário, o Chico, o Sergio, o Paulo... Você se perdeu... Perdeu-se nas galerias dos museus, nas curvas dos LP´s e nos números dos livros; onde é que você está? Dentro da tua própria cabeça eu pergunto em eco: onde está você mesmo?

Desculpe tratar-te assim, mas Você não se deu tempo! Trabalhou demais na empresa, na clínica, no espetáculo, na Faculdade de Filosofia, de Arquitetura, Economia.

E nada te toca! Em música você toca tudo, talvez (ou nada), e nada te toca.

Deixou a razão te guiar e, quem diria, está perdido. Esqueceu...


Resolveu seus medos não dando sorte ao azar, viveu no privado, não conheceu situações e não se deixou submeter a elas, talvez porque sabe que suas idéias são à prova de nada. Você não conheceu mesmo muitas situações; não o mínimo para te fazer desistir de enfrentar suas crises com um filminho, um bombom, uma puta, um namorado. “Eu preciso ir à praia”, dizia. Preferiu mudar a representação, nunca tocar a essência. Porque o medo de exerce-la? É tarde demais?

Assim, realmente te compreendo: “a vida não tem sentido...” Se há outras formas de vida? Meu amigo, há a vida!! E o tempo!

Eu desisto, sabia?!

Vá, suma daqui! Mas para qualquer lugar que seja, vá somente contigo. Deixe-me aqui! Que bobagem de carência, parece até que esqueceu que é um filósofo (mesmo lendo muitos ou alguns deles)? Viu só? Questione também os termos!

Ah!!! Me esqueça, vá! Pense no que vier à telha... Só não esqueça que eu desisto, e que não devo te influenciar só porque existo!







































Desculpe voltar assim. Mas é que quando disse que “desisto” eu quis dizer do livro... "desistir" pressupõe esperança...



 
Comments:
ó dono da montanha, pra sentir o prazer do pulo, deve-se sentir a dor da queda, não se deixe influenciar por aqueles que preferem o chocolate amargo ao doce.
 
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De um lado o concreto, de outro, a imaginação livre. Mas veja: aqui não há esperanças; subimos em árvores e montanhas de fato; há simplesmente uma casa muito engraçada, não tem teto, nem nada; Nada, na tal casa, possui o teor da verdade; apenas um teor suficiente para perceber que aqui há um diálogo e não um discurso.

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