Universidade Invisível
terça-feira, julho 11, 2006
  Soneto do amor total


Amo-te tanto meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
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Amo-te enfim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
.
Não,
não é isso que vês,
que toca e cheira,
que te faz arder
de vontade.
Meu caro:
.
A beleza
é a entrelinha
da beleza.
 
quinta-feira, julho 06, 2006
  Razão x Emoção : não é uma luta, é uma harmonia.


A reflexão sobre a sensação: sentir, depois saber o sentido; a sensação guiando a razão, invertendo aquela lógica ideológica anti-humana atual onde a razão guia a sensação... afinal qual a diferença entre pensar fazer algo e fazer efetivamente, digo isso internamente? Internamente, se EU QUERO ARROTAR na mesa da minha avó eu já sou "mau educado" em essência... se eu arroto ou não é somente uma representação que eu escolho: se arroto escolho a figura de ser "mau educado", se não arroto eu “sou” (escolho ser) "educado"... certo? O ator é mau educado, o personagem pode ser ou não ser, dependendo de quem é que o ator representar.

A diferença de colocar a razão à serviço da sensação é colocar em primeiro plano a essência e em segundo plano a representação. O modo de vida atual coloca a sensação à serviço da razão, ou seja, a razão controla as sensações; o que acontece assim é que o que algo (inclusive pessoas) parece ser torna-se mais importante do que o que realmente é. Coloca a representação à frente da essência. Muito anti-humano. E a louca inversão de valores nos faz crer que os loucos são os que vivem sua essência, imersos num mundo dominado pela "normalidade" da representação, da aparência e da ilusão.

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Não basta parar de fumar na salinha de convivência, tem que entender que não fumar na salinha é igual, em essência, a não jogar papel no chão, não exercer preconceitos etc; que isso tudo, em essência, é respeito, é responsabilidade com o mundo... e não basta apenas fazer tudo isso, é preciso entender tudo isso (entender: seja sentindo, seja pensando, é o que mexe em nossa alma, nossa essência). Só o fazer se aprende na escola, e entende-se assim seu papel dentro desta ideologia: Não jogue papel no chão, não etc etc etc... aí o cara aprende isso e reproduz a “educação”, o ensinamento; mas na verdade não aprendeu nada, só reproduziu... reproduzir não mexe na essência, só na representação. Educação reproduz, só a cultura liberta!! Não importa se eu arroto ou não, o importante é refletir sobre essa tradição e saber o porque eu não arroto, me conhecer o suficiente para saber que sou hipócrita ao não arrotar querendo arrotar e não fazê-lo somente por respeito à uma tradição idiota que ninguém sabe porque adotou, mas adotaram... Sabendo disso, do mundo e de mim, posso formar coisas que burlam essas regras de maneira sutil... SUSSURRO... afinal, se eu grito, sou abafado e morto pela tradição... as transformações sem aspas, irreversíveis, são na essência, não na representação... não basta eu formular uma revolta em que todos vão sentar na mesa e arrotar... muda-se o costume: agora todos arrotamos... mas não muda-se a essência: todos continuarão a receber a tradição e obedecer, REPRODUZIR o que antes foi o não arroto, agora o arroto...

Colocar a razão a serviço da sensação, num processo de mudança, é o SUSSURRO, que quando entra num indivíduo ECOA de maneira forte como um GRITO... é o Grito do mudo! Basta uma reflexão dessas para que se estenda à outras tradições.

A sensação à serviço da razão, no processo de mudança, é um grito que não entra no indivíduo... não ECOA , portanto... e tem como efeito colateral a ilusão de estar mudando... muda o Mundo aos olhos, e basta... não vai ao mais profundo possível do buraco...
 
segunda-feira, julho 03, 2006
  Se você treme de indignação frente uma injustiça, então somos companheiros.

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O GrUPo surgiu há cerca de dois anos como fruto de um desconforto de seus fundadores para com as formas de organização social e os rumos que estas tomavam. Após dias de discussões chegaram à conclusão de que o desconforto era fruto de um individualismo extremo que regia as relações sociais, da família ao trabalho, dos problemas às suas soluções. E o GrUPo seguiu em busca de novos “desconfortáveis” decididos em tomar alguma atitude, mesmo sem ainda saber “o que”. Assim, pessoas de diferentes meios e referências se agregavam enriquecendo as discussões, tornando mais complexos os problemas, criticando as possíveis soluções e, quando se viu, o GrUPo já atuava e se manifestava nestas pessoas dos encontros: se as pessoas fazem o mundo, a mudança deve partir delas. A proposta, primeiramente, era de se criticar e deixar criticar-se para notar o que havia de interferência do “mundo“ em nossas ações, ou seja, como cada um de nós reproduzia, passava adiante e reforçava a Ideologia do individualismo, do fazer abstrato, vazio de significado; queríamos acabar com nossa parte inconsciente, nos conhecer ao mesmo tempo de conhecer o mundo através da interferência deste em nós mesmos. As análises se solidificaram, novas pessoas surgiram e portas foram se abrindo. Os conceitos e idéias estão maduros, prontos para a experiência prática que poderia ser adaptável para qualquer campo, qualquer ação, sempre preocupado primeiramente com a qualidade que com a quantidade. Hoje o GrUPo tem a possibilidade de realizar sua proposta de maneira constante, ou seja, com um trabalho que se proponha a um determinado projeto em conjunto com algumas pessoas. Independentemente da área de atuação, nosso trabalho terá sempre o objetivo de instalar um processo auto-sustentável, sólido, irreversível e contextualizado com as pessoas e/ou local que farão parte da proposta. Este texto que se segue é uma tentativa da tradução em palavras sucintas de tudo aquilo que achamos essenciais pensamentos do GrUPo. Neste processo doloroso e necessário, encontramos algumas dificuldades para lidar com termos que já possuem algum significado ou “aura” em nosso meio social, tal como “arte”, “reflexão”, “cidadão”; outra dificuldade foi a possibilidade enorme de seguir por vários caminhos para passar o essencial do GrUPo: este que foi seguido aqui muitas vezes passa por outros atalhos que aqueles discutidos nas reuniões; mas esperamos que, à partir do contato mais próximo e da experiência prática, a proposta possa surgir a todos de maneira tão clara como nos parece.
 
De um lado o concreto, de outro, a imaginação livre. Mas veja: aqui não há esperanças; subimos em árvores e montanhas de fato; há simplesmente uma casa muito engraçada, não tem teto, nem nada; Nada, na tal casa, possui o teor da verdade; apenas um teor suficiente para perceber que aqui há um diálogo e não um discurso.

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