Universidade Invisível
quarta-feira, novembro 29, 2006
  Série MANIFESTO CONTRA O TRABALHO ABSTRATO.

Somos livres, então, quando, como artistas, produzimos sem o aguilhão da necessidade física; e esta natureza é para Marx a essência de todos os indivíduos. Ao desenvolver minha própria personalidade individual dando forma a um mundo, estou também realizando o que tenho de mais profundo em comum com os outros, de tal maneira que o ser individual e o ser genérico são em última análise o mesmo. Meu produto é minha existência para o outro, e pressupõe a existência do outro para mim. Esta é para Marx uma verdade ontológica, decorrente do tipo de criaturas que somos; porém é possível para certas formas de vida social introduzir uma cunha entre estas duas dimensões do eu (ser individual e ser genérico), individual ou coletivo, e isto, na verdade, é o que o jovem Marx chama de alienação. Num sentido, tal fissura já existe, uma vez que faz parte da essência do ser humano o fato de que ele pode objetificar sua própria natureza, tomar distância em relação a ela, e isto está nas raízes de nossa liberdade. Mas numa sociedade de classes, os objetos produzidos pela maioria dos homens e mulheres são apropriados pela minoria que possui e controla os meios de produção; e isto significa que eles não são mais capazes de se reconhecer no mundo que criaram. Sua auto-realização é não mais um fim em si mesma, mas se torna puramente instrumental (do sistema) para o auto-desenvolvimento dos outros:

"Tal fato significa simplesmente que o objeto produzido pelo trabalho, seu produto, ficam oposto a ele como algo estranho, como um poder independente do produtor. O produto do trabalho é trabalho incorporado e tornado material num objeto, é a objetificação do trabalho... na esfera da economia política, esta realização do trabalho aparece como uma perda de realidade para o trabalhador, a objetificação como a perda do, e submissão ao, objeto, e apropriação como estranhamento, como alienação... o trabalho alienado não apenas aliena a natureza do Homem e aliena o Homem de si mesmo, de sua prórpia função ativa, de sua atividade vital; por causa disso ele tb aliena o homem de seu gênero (humano). Ele transforma sua vida genérica (social) em um meio para manter sua vida individual (trabalha, vende sua força de trabalho, simplesmente para ganhar dinheiro, para poder se sustentar)."

O trabalhador, Marx comenta, sente-se em casa apenas qdo não está trabalhando. Assim, a alienação é um processo múltiplo que divorcia o trabalhador da natureza (de seu ser em essência), de seu produto e do próprio processo de trabalho, de seu próprio corpo ( que serve de instrumento), mas tb da atividade vital e coletiva, que faz dele um verdeiro ser humano. “Em geral”, escreve Marx, “ a proposição de que o homem é alienado de seu ser genérico significa que ele é alheado ( dos outros e que todos estão alienados da essência do homem.”
 
quinta-feira, novembro 23, 2006
  O princípio esperança, ou Outras vozes.



A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.
E isso escrevem apesar de todos os textos sobre o tema começarem com um "Diante do sentimento de impotência e desesperança expresso por significativas parcelas da população mundial com relação à possibilidade de transformação social em nosso tempo (...)", ou "Mudar o mundo? No, thanks. Nunca mais. Sem chance. Nem pensar.Frases curtas, de duas palavras, sem nenhuma explicação suplementar, parecem suficientes para exprimir o estado de espírito que predomina no Brasil -ou em qualquer outro país- depois de tantas utopias entrarem em descrédito."
 
De um lado o concreto, de outro, a imaginação livre. Mas veja: aqui não há esperanças; subimos em árvores e montanhas de fato; há simplesmente uma casa muito engraçada, não tem teto, nem nada; Nada, na tal casa, possui o teor da verdade; apenas um teor suficiente para perceber que aqui há um diálogo e não um discurso.

ARCHIVES
março 2006 / abril 2006 / maio 2006 / junho 2006 / julho 2006 / agosto 2006 / setembro 2006 / outubro 2006 / novembro 2006 / março 2007 / março 2008 / setembro 2009 /


Powered by Blogger