Universidade Invisível
quinta-feira, maio 25, 2006
  * Continuação (ler o post abaixo)
"A vida está pervertida pelas categorias do Bem e do Mal, da falta e do mérito, do pecado e do perdão. O que perverte a vida é o ódio, inclusivamente o ódio a si mesmo, a culpabilidade. Espinoza segue passo a passo o terrível encadeamento das paixões tristes: em primeiro lugar a própria tristeza, a seguir o ódio, a aversão, o escárnio, o temor, o desespero, a piedade, a indignação, a inveja, a humildade, o arrependimento, a humilhação, a vergonha, o desgosto, a cólera, a vingança, a crueldade... A sua análise vai tão longe que, até na esperança e na segurança, acaba por encontrar esse grãozinho de tristeza que as converte em sentimentos de escravos. A verdadeira cidade deve então propor aos cidadãos o amor da liberdade mais do que a esperança das recompensas ou mesmo a segurança dos bens, uma vez que "é aos escravos e não aos homens livres que se dão recompensas pela sua boa conduta". Espinoza não é, em suma, daqueles que pensam que uma paixão triste traz algo de bom. Muito antes de Nietzsche, ele denuncia todas as falsificações da vida, todos os valores em nome dos quais depreciamos a vida: nós, rigorosamente, não vivemos; mantemos apenas uma aparência de vida, apenas pensamos em evitar a morte, e toda a nossa vida é um culto da morte."
 
  Desvalorização de todas as "paixões tristes" em proveito da alegria.

Trecho do livro de um comentador de Espinoza:
"Espinoza, ao longo de toda a sua obra, não cessa de denunciar três espécies de personagens: o homem das paixões tristes (ESCRAVO); o homem que explora essas paixões tristes (TIRANO), que delas necessita para estabelecer o seu poder; o homem que se entristece com a condição humana e as paiões do homem em geral (SACERDOTE, que tanto pode zombar como indignar-se, mas não deixando a própria zombaria de ser um mau riso); há ainda o HOMEM LIVRE, que é definido por se excluir de todas essas outras definições: fora deste círculo de pensamento sobre as paixões tristes. Sobre a relação Tirano-escravos: "O grande segredo do regime monárquico, e o seu interesse profundo, consiste em enganar os homens, disfarçando, sob o nome da religião, o temor a que se quer sujeitá-los; e de tal modo que estes combatem pela sua servidão acreditando buscar o contrário, sua liberdade". É que a paixão triste é um complexo que reúne o infinito dos desejos e a confusão da alma, a concupiscência e a superstição."O mais zelosos em abraçar qualquer espécie de superstição são inevitavelmente os que mais imoderadamente desejam os bens exteriores". O tirano necessita da tristeza das almas para triunfar, tal como as almas tristes (escravos) necessitam de um tirano para se acolherem e propagarem". O que de qualquer modo os une é o ódio à vida, o ressentimento contra a vida. Em Espinoza há efectivamente uma filosofia da "vida": ela consiste precisamente em denunciar tudo que nos separa da vida, todos os valores transcendentes (a moral que obedecemos socialmente) que se orientam contra a vida, unidos às condições e às ilusões da nossa consciência."
(outro trecho será postado em breve)
.
Onde se encontram os tiranos, os escravos, os sacerdotes e os homens livres nas relações humanas cotidianas?
 
terça-feira, maio 23, 2006
  O MuNdo É Uma bAnDa!!! BanDa dE DoMíniO PúBliCo... Toca aí!

Parece que algumas coisas foram feitas para algumas pessoas, e vice versa.
Garrincha nasceu para driblar, a bola nasceu para Garricha. Quem já viu e ouviu, sabe que Yamandu foi feito para o violão e o violão foi feito para Yamandu. O mesmo raciocínio para Mozard, Pelé, VanGogh...
Mas o engraçado é imaginar: e se esse mesmo Pelé tivesse nascido e ainda não existisse o futebol? O “Rei” estaria lá, mas não existiria reinado. E se não tivessem inventado o violão? Yamandu o inventaria? Ou seria um eterno angustiado vivendo com uma inspiração sem musa e com um amor sem objeto de repouso? Seriam muitos talentos desperdiçados, com certeza.
Se agora eu inventasse um instrumento musical chamado “Mestrimtrim”, com certeza absoluta nesse exato momento surgiriam no mundo uns três talentos absolutos nesta arte, pessoas feitas para isso. Para qualquer coisa que for criada existirão gênios à sua espera.
É por isso que todos nós podemos ser gênios em alguma coisa, mas uma coisa que ainda não existe.
Acredito que existe um instrumento (que estou inventando) que fará o som mais lindo que já ouvi, e ele será a parte que me falta. Esses instrumentos que conheço não são o “meu” instrumento.
Na verdade estamos montando uma banda, cada um está criando seu instrumento que não existe e queremos tocar a música que ainda não existe, mas que será maravilhosa.
Já temos a melodia, falta à letra.
Não sabemos exatamente como será a musica, assim como não sabemos qual mundo queremos criar. Apenas sabemos que não é esse mundo aqui, esse mundo não pode ser o “talento” de ninguém. Assim como todos deveriam achar seu instrumento o mundo genial deveria ser a busca de todos.
Enquanto construímos esse mundo, a música é elaborada. Afinal, quando ele estiver pronto, vamos precisar de um som para comemorar.
Prontos para cantar?
 
quinta-feira, maio 11, 2006
  Novo formato do blog
Agora há também um outro "postante". Voces podem notar ali ao lado o "Cumpanheiro", que é o Mestre, o Hugo ou seja lá outro nome. Estão sendo convidados e aceitos auto-convites.

beijos, Du.
 
  O amor revolucionário e os corações levianos.
.
Rosará
(música do GrUPo)

E se em tempos tão tristes brotar uma Rosa?
Tire o orgulho do peito e comece a regar.
Mas se a cada manhã amanhece mais morta?
Funde outro terreno mais firme a arar.
E se a água tem fim e a chuva demora?
O amor vai fazer nossa rosa espalhar.
Rosará o amor, Rosará o mundo,
Rosará o tudo, Rosará o mudo.
Se regarmos a Rosa ela vem nos regar.
Se regarmos a Rosa ela vem nos regar.
Se regarmos a Rosa o mundo rosará.
Relação humana. Para ser verdadeira, é preciso entregar-se todo, com virtudes e fraquezas. Não é possível alguém gostar do Eduardo com ele escondendo que é egocêntrico, explosivo e ridículo; não sei quem foi o imbecil que cortou os defeitos dentro de uma amizade ou Amor. Aí as pessoas ficam assim, traumatizadas com erros e defeitos, cheio de travas para as relações; consequência: uso de máscaras com o medo de ser julgado, impossibilitando as relações abertas e "verdadeiras", frustração. Todos querem relações verdadeiras, mas pouco se dispõe a fazê-las. E é sempre o outro, o outro e o outro. Uma nóia em ser enganado, feito de troucha. O que é que isso carrega de individualismo? Isso é conservadorismo, da pior classe pelos que tem o discurso desalinhado com a ação, e tentando escondê-la dos desvios. É que banalizaram-se os termos. Amor, amor mesmo, não liga pra defeitos; é preciso entender isso, ou não é amor. Quem deitou nas tuas costas ou deixou voce deitar não te amava; queria ou exercer o poder ou aproximar-se dele, respectivamente. Amor, mesmo, é revolucionário! E só quando o coração não é leviano. Não me entrego só pelo outro (a), mas por mim mesmo porque desejo ter uma relação verdadeira. Se me escondo atrás de escudos e não estou disposto a sair sou o primeiro a saber que minha relação não é verdadeira, porque não sou. Sou o primeiro responsável por isso, e devo saber; talvez o (a) outro(a) com quem se relaciona AINDA não saiba, mas ainda...
Quem acredita na perfeição com ailusão de alcançá-la está fadado ao fracasso, isso não é felicidade, pode ter certeza; e, se for, viva e morra infeliz. Picos de euforia são gritos de desespero do infeliz. O "mundo real" não gosta do Eduardo, mas de um personagem criado. Invertem o real e o irreal. O real é a minha utopia! Relação deve estar atrelada a algo muito mais profundo que o Eduardo estudante de Comunicação e Filosofia, o Eduardo que trabalha com arte e educação, o Eduardo amigo, o Eduardo namorado, irmão, filho, etc; deve estar atrelado ao Eduardo que dá origem à todos esses (que pode ser chamado de essência), à maneira de como ele lida com ele mesmo e seus "problemas", com os dos outros, se é alguém aberto ou fechado, estático ou inquieto.
 
sexta-feira, maio 05, 2006
  Choro e vela, tempo e vento.

Choro d´um doador de flores,
um choro doador de flores,
lágrimas de um pedinte.
Choro de pranto,
um choro de pranto
e de paixões.
Que bela Vela,
que chora e queima,
mas transforma-se
lentamente.
Noto: Só o fio
condutor
se vai;
barbantinho da segurança.
Cera
espalhada, confusa.
Eterna cera,
cansou de, na mudança, chorar e queimar.
Eterna.
O fogo queima,
doa flores, não prova de amores.
Prova de amores?
Beijos, falas; são beijos e falas.
Também pudera,
um vendaval passou em nosso fogo,
agora há tempo.
O tempo é um fio
condutor,
que , ao contrário do barbantinho,
dispensa o fogo para mudar a bela
cera;
Também pudera,
um vendaval passou em nosso fogo,
agora há tempo.
mas o tempo é um filho
submisso, passivo.
Os pais o acolhem, o fazem, tempo humano,
pais mais que amantes;
são completos
doadores de flores;
Que choram ansciosamente
pelo filho que vem aos tantos;
deixe-o- vir,
o tempo.
E o que fica, sempre,
líquida ou sólida,
é a bela.
 
De um lado o concreto, de outro, a imaginação livre. Mas veja: aqui não há esperanças; subimos em árvores e montanhas de fato; há simplesmente uma casa muito engraçada, não tem teto, nem nada; Nada, na tal casa, possui o teor da verdade; apenas um teor suficiente para perceber que aqui há um diálogo e não um discurso.

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