Universidade Invisível
Me despeço, me despedaço... Peço licença...
" Aqui, do alto da montanha, com aquela visão privilegiada do mundo de concreto, escrevo e me despeço. Quem nunca quis ser uma mosquinha pra saber o que se passa em tal ou qual situação? Pois eu sou invisível!
Saio para dar espaço: como em qualquer relação, não há vácuo de poder; fiquem agora com os Universitários Invisíveis; é uma questão de escolha: se quiserem (permitirem) eles mandam e desmandam. Não sejam servos voluntariosos, não cedam teus poderes à estes ou quaisquer outros.
Mas virão com temas pouco importantes, já digo, ao macro funcionamento do mundo. Sussurros, gritos de mudo, cocequinhas ao olvido; descompromissados com qualquer mudança ou revolução. Mas são coisas tão internas e essenciais, que veja, pode até causar impacto; é que não ferem os orgulhos (esses filtros tão poderosos dos humanos estáticos); por isso, se tornam tão "perigosos". Mas a verdade é que o descompromisso vence; estão à toa, com certeza. Buscam a alegria em cada passo, mesmo tristes; amam a vida, e sabem como é formada. São contraditórios, e riem quando cobrados do contrário. Talvez riam de tudo...
À eles, Mario Quintana:
Todos estes que aí estão
atravancando o meu caminho,
eles
passarão.
Eu,
passarinho.
Aqui me despeço, me despedaço,
Peço Licença.
Abraços e beijos a todos.
Homem da Montanha (o dono). "
Agora são os Universitários Invisíveis e as anotações de seus cadernos...
Esperança é última que morre, a única que te mata...
Revolução à prazo.
Pago com fome e fé;
repasso à outra, e minha, face.
Ilusão em conta-gotas,
que é pra não acabar o frasco.
Mas acaba: Consumo viciado.
Jogam outra...
outra casa, mulher, outra vida
automática, automóvel, auto-ajuda.
Não vivo, já não sou.
Estou
Feliz, Feio, Fraco,
estou Fútil.
Compro livro, estou forte.
ESTOU forte!
Outra vida;
outro sonho;
outra morte.
Outra vida...
esperança.
Esquizofrenia
social.
Esperança sempre é vista como algo construtivo, que empurra-nos rumo aos objetivos e metas. Mas esperança parece ser, mesmo, uma paixão triste. Nos esconde as fraquezas por detrás de uma espécie de nostalgia futura, e esconde a melancolia atrás do cotidiano corrosivo. A esperança é a mãe dos sentimentos... "Não, vai melhorar...".Pode ser momentâneo, mas tenho acreditado muito que a consciência da morte é que traz a vida totalmente livre. A esperança iguala tudo, as coisas impossíveis às muito próximas; assim, ela pode ser encarada, na montanha, como um empecilho para a vida livre. E vida/morte é apenas uma metáfora.Na montanha não há esperança. Subimos , de fato, em árvores e morros. Na Universidade Invisível a cabeça é instrumento do caminho; não destrua teus sonhos, mas livre-se deles... realize-os ou não sonhe. Ou se apegue à esperança.Andança: andar sempre. Esperança:............
Resignado, itinerando na tempestade que me varre, que me vale. As pessoas que eu amo, eu amo bastante.

Memórias Modestas
(Luiz Melodia)
Se ando triste, mal, desconfiado
Desvairado, com cara de santo
Podes crer, meu bem
Que santo é um santo
Se choro franco, falo um pouco antes
Olha, eu falei bastante
As pessoas que eu amo
Eu amo bastante
Por isso canto
Santo é um santo
Nova imagem a respeitar
Eu conheço o homem, o lobisomem
A moça linda vive a pensar
Chuvas vão cair
A chuva molha tanto
Chuvas vão cair
Meu bem, meu Deus
E molham tanto
Eu falo, falo, falo que não falo nada
Eu mostro, tanto mostro que sou santo
nada.
Caía o mundo, e eu amando. Caminhando, resignado, na chuva que me vale. Enchurradas largas, passos já curtos, ir aos beijos e abraços longos; eu sentia forte. As pessoas que eu amo, eu amo bastante. As chuvas caem, não molham; nada sinto na pele, só beijos futuros. Futuro é cobertura, o guarda-chuva, pós 15 minutos de pé d´água, chutando violentantamente meu corpo. E eu amando; seco, mas molhado, mas seco. Chuva caindo; eu não sentindo. O pôr do sol vai renovar, brilhar de novo meu sorriso, e libertar da areia preta, do arco-íris cor de sangue. "O Sol não adivinha!?". Libertar do vermelho, cor de sangue... mas o sangue é a cor do amor. Meu Deus, descolou minha retina. E eu amando... igualando meu gosto: o seco, o molhado, o seco ou o molhado, eu amando. Andando avuado, os duros continuam caminhando; só os duros, e eu, claro,
resignado.
poesia para perda
um minuto se perde
depois de tudo
nada há
via todos
cai ...
aqui onde?
em quanto há
via...
depois o ante(s)
de(s)fazer o nó(s)
cai o onde
cai o nós
depois o nada
perde
onde aqui havia o minuto
via tudo
..Dodô
Extrair da pedra algo invisível mas tangível: a vida e o tempo
O tempo passa, com ele vai a vida... lá vai o tempo, lá vão as ondas, lá vai a vida... aqui estou dando chances ao mar para que atue em meu barquinho... não andar na rua de madrugada? Não se dá chances para a sorte ou azar, e não se prefire um ou outro; não em estado de liberdade. São meu olhos, os teus e os nossos; e é melhor ser alegre que ser triste. Ofereçer a vida ao tempo... sentido na vida, o sentido na submissão ao tempo... tão desagradável quanto libertário é jogar o corpo no mundo, e vivo...
Não, sentido não há em quanto se vive, tampouco na intensidade com que se faz; há na VIDA o sentido de viver, simplesmente porque aqui, agora ou em qualquer tempo, sofrendo, sorrindo, sentindo, semblante,
seguindo... seguindo... seguindo...
ou morto.
Mantenho-me
Minha vida é um tempo,
um espaço entre um “tum”
e outro;
entre,
tamborins e terecotecos.
Momentos hermetos...
mudam a vida,
ajudam o tempo
a ser
tocado;
tangível-
mente
e musicado.
Se o surdo me marca,
o cantar
calado
me guia.
Tocar, ao lado,
ao som
que soa
d’uma alma
boa,
ecoa dentro,
marca
o tempo.
E o tempo,
não é meu,
é um:
minha vida
é um
sopro
do tempo.
Não deixe a Universidade atrapalhar seus estudos

É um pouco difícil... pois toda uma vida de bombardeamento sutil ou nem tanto, muitas vezes lento e gradual: "nossa, que beleza a tua prima, uma menina muito estudiosa; passou em uma escola pública! Veja só!", "o que vai ser quando crescer, muleque?", "Hoje vamos fazer uma prova surpresa...", "já sabe?", "Como assim desistir da faculdade no último ano?!", "quantos pontos fez na Fuvest?", "Resolva: (5x4)+(2-3)-(7x8) > 0", "Qual o principal rio da Bacia Amazônica?". E vamos entrando no clima, pensando que realmente é muito iportante o tal rio; e se Filósofo ou Publicitário se encaixaria no "ser quando crescer"; e concluir a Faculdade no último ano, afinal estamos no último ano; a propor um projeto de pesquisa que descubra de uma vez por todas o que foi que Descartes quis suspendendo seus juízos e adotando uma moral provisória; e ficamos feliz com o 8 da prova surpresa...Mas um dia tudo esvai... e justamente no dia em que acabou o chocolate branco com cookies... porque?
Aí agente liga o rádio e houve aquela sonífera voz do Paulinho da Viola trazendo Candeia pra queimar minha ferida aberta:
Filosofia do Samba
(Candeia)
Pra cantar samba
Não preciso de razão
Pois a razão
Está sempre com dois lados
Amor é tema tão falado,
Mas ninguém
Seguiu nem cumpriu a grande lei.
Cada qual ama a si próprio
Liberdade e igualdade
Onde estão? não sei
Mora na filosofia;
Morou, Maria?
Morou, Maria?
Morou, Maria!
Pra cantar samba
Veja o tema na lembrança
Cego é quem vê
Só aonde a vista alcança
Mandei meu dicionário às favas
Mudo é quem
Só se comunica com palavras
Se o dia nasce
Renasce o sambaSe o dia morre
Revive o samba
Mora na filosofia.
Morou, Maria?
Morou, Maria?
Morou, Maria! Aí agente repensa tudo: o carro, a casa e até a marca do chocolate... mas foge pensando "não, não, eu não sou Maria...". E tem um pesadelo que entre o filósofo e o poeta, abraçamos o sambista...

A sintonia impressiona: os dois sentados, lado a lado; ela fitando um outro lado; ele vira a palma da mão, que já estava em seu colo e... vum! ela segura sua mão. Como, se não viam? Só mesmo usando uma palavra tão vaga, sintonia, para explicar essa sobrenatureza oculta num tão simples ato.
E o tempo? O tempo passa surtado em minutos, voando em horas, acelerado em períodos, andando em dias, moribundo em finais de semana, eternizado em semanas e desprendido dos meses e ano.
E o tamanho? Nada mais suporta... não cabe em qualquer ato, qualquer palavra. Por isso, talvez, surgiram as borboletas, porque as convenções humanas já não dão conta.
E...
As Palavras, eu e meu ego-ísmo"s".
Necessidade Mundana.
Jovem demais pra ser triste
sigo por árduos caminhos:
busca vã.
Porém um poema, ainda que justo, cabe à complexa profundidade do vão.
E de todos.
E cada um é o maior dos mistérios.
A cada um que me cerca, me atiro com todo o receio do mundo.Caminho vai,
e me perco.
Caminho vem,
e me odeio.
Indiferente rumo ao espaçoentre o ir e vir;
este é o caminho, e por ele seguirei.
Caminhar é preciso,
mesmo fadado ao fracasso,
mesmo entregue ao espaço,
que uso apenas para me preencher de palavras antes engasgadas;
feitas de nada, escritas em negro,
passam
em branco.
Caminhar é preciso,
O caminho, impreciso.----------------------------------------
Por vezes batem dúvidas, dúvidas caladas. De que é que eu preciso? Eu preciso desse poder da criação? Criar o que, para que? À que está associada minha necessidade que existe? Resistência ou egoísmo? Mudar a representação ou manter a minha essência?Não sei, mas tenho passado longe da hipocrisia "cult-intelectualóide". Eu estou aqui no alto de uma montanha invisível, muito longe desse plano; daqui tenho uma visão privilegiada das tuas cabeças. Não, não escrevo pelo auto-conhecimento, mesmo dando chances. O buraco está mais embaixo e , assim, estou ainda caindo. O que me instiga é o prazer que causa a escrita; cada vez procuro pensá-lo mais nojento. Será que virei tão desumano que preciso dar voltas para me conhecer? Mas escrevendo me conheço em várias faces, qual será a minha? O (meu) sentir seria meu único objeto de estudo seguro: eu mesmo; ele não mente, sou eu e ponto. Já as palavras parecem estar aqui mais para mostrar minhas contradições que para me agregar beleza. Agregar beleza? Eis uma vantagem de ser invisível, e a mais valiosa: eu não preciso de etiquetas sociais. Outra? Posso revelar todas as tuas, mostrar a hipocrisia até causar tanta polêmica que a discussão será desviada, "inconscientemente", para um assunto menos relevante, menos ao fundo do buraco. E não é a verdade? Pouco importa... já foi dito aqui na descrição do blog que isso pouco importa... o teor da verdade não é o objetivo; mas leia o outro, se quiser. Seria muita pretensão de um ser invisível acabar com a hipocrisia do mundo. E eu aqui, na montanha. Você vê?Voltando: As palavras me colocam numa situação difícil perante mim mesmo... "O que quero ser?" X "Quem sou eu?"Por isso, por elas, meu amor e meu ódio.
A descoberta do Homem
Foram anos difíceis; tanto que um dia precisou de algumas doses de doping. Amnésia forçada, auto-ele mesmo. O tempo foi passando, diriam horrorizados com semblante superior e idéias à prova de nada: “ele está fora de si...”. Estranho, foi justamente aí que se viu pela primeira vez. E depois de tanto tempo de sobrevida... Seus olhos de prisma visitaram seus eu-Homem, eu-trabalho, o eu-marido, eu-feliz. Curto tempo, quase tudo. Coerente como lhe cobravam: interesses da Direita e a burocracia da Esquerda: radicalmente complexo: foi quase nada sendo quase tudo! Revoltou-se contra todos aqueles que se passaram por ele-Homem nos últimos anos; assassinou semblantes, voltou-se para si e, quando acordei...
Quando acordei e te vi, neste exato momento, aí, sentado nesta poltrona, deitado na tua mísera e enorme cama, de tanta solidão, ou qualquer outro lugar que estivesse com meu livro em tua mão, eu desisti... E é você mesmo!
Eu desisti!
Pergunta-me: “Agora!?”. Sim, afinal de contas, o que faria com a reflexão sobre as paginas anteriores (se é que me entende: “reflexão”... aliás, outro motivo de desistência!)?
.
.
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Será? Será que é só isso? Tudo isso?
Não, não é só isso... Desacredite deste livro. Da submissão sobre mim. De qualquer admirar artístico. Feche-o! Vá se investigar, pensar sobre os motivos que lhe fizeram acreditar na página anterior (e olha que seria uma “bela” obra, não seria?) e tanto criticar o Paulo Coelho (ou não), amar tua esposa (ou não) ,......................................; e faça depois o que quiser com a descoberta: mude, ou não. Pense no orgulho do leitor, no orgulho do escritor. Só não caia na tentação de não tratar esse livro como um espelho mesmo ele sendo apenas um livro... e mesmo ele não sendo...
O que acontece contigo? Que coração mais duro te deixou o Carlos, o Mário, o Chico, o Sergio, o Paulo... Você se perdeu... Perdeu-se nas galerias dos museus, nas curvas dos LP´s e nos números dos livros; onde é que você está? Dentro da tua própria cabeça eu pergunto em eco: onde está você mesmo?
Desculpe tratar-te assim, mas Você não se deu tempo! Trabalhou demais na empresa, na clínica, no espetáculo, na Faculdade de Filosofia, de Arquitetura, Economia.
E nada te toca! Em música você toca tudo, talvez (ou nada), e nada te toca.
Deixou a razão te guiar e, quem diria, está perdido. Esqueceu...
Resolveu seus medos não dando sorte ao azar, viveu no privado, não conheceu situações e não se deixou submeter a elas, talvez porque sabe que suas idéias são à prova de nada. Você não conheceu mesmo muitas situações; não o mínimo para te fazer desistir de enfrentar suas crises com um filminho, um bombom, uma puta, um namorado. “Eu preciso ir à praia”, dizia. Preferiu mudar a representação, nunca tocar a essência. Porque o medo de exerce-la? É tarde demais?
Assim, realmente te compreendo: “a vida não tem sentido...” Se há outras formas de vida? Meu amigo, há a vida!! E o tempo!
Eu desisto, sabia?!
Vá, suma daqui! Mas para qualquer lugar que seja, vá somente contigo. Deixe-me aqui! Que bobagem de carência, parece até que esqueceu que é um filósofo (mesmo lendo muitos ou alguns deles)? Viu só? Questione também os termos!
Ah!!! Me esqueça, vá! Pense no que vier à telha... Só não esqueça que eu desisto, e que não devo te influenciar só porque existo!
Desculpe voltar assim. Mas é que quando disse que “desisto” eu quis dizer do livro... "desistir" pressupõe esperança...
De um lado o concreto, de outro, a imaginação livre. Mas veja: aqui não há esperanças; subimos em árvores e montanhas de fato; há simplesmente uma casa muito engraçada, não tem teto, nem nada; Nada, na tal casa, possui o teor da verdade; apenas um teor suficiente para perceber que aqui há um diálogo e não um discurso.