Está na cara, você não vê?
.
Mergulhado na aflição de corroer-me, encontro, finalmente, a mola do fundo do poço. O ciúme é a volta da infantilidade, à tempos idos, à desconfianças toscas, à auto-destruição. .
ESTÁ NA CARA, ESTÁ NA CURA
Gilberto Gil , 1974
.
Está na cara
Você não vê
Que a caretice está no medo
Você não vê
Está na cara
Você não vê
Que o medo está na medula
Você não vê
Está na cara
Você não vê
Que o segredo está na cura, está na cara
Está na cura
desse medo
Quem tem cara tem medo
Quem tem medo tem cura
Essa história de medo é caretice pura
Vou brincar que ainda é cedo
Que o brinquedo está na cara
Está na cara, está na cara
Que o segredo está na cura
do medo.
O ciúme lançou sua flecha preta
.
E eu, ego-
ísta,
rodeado em flores,
me noto, frígido,
em leito:
morri de amores.
.
Meu amor é egoísta, repleto de paixões tristes. Consumo-me-consumO. é MEU amor. E é como se me lembrasse da coisa que mais nega o Humano e resolvesse aplicá-lo perfeitamente. Eu sou o meu EGO, e meu amor se mostra serpente em pele de cordeiro. O ódio reflete a submissão do odioso, meu desespero, meu pranto. Me nego a viver de EGO; estou morto, morto de amores. Meu ciúme, meu auto-capataz, eu-caçador de mim, procura-se, eu-serpente de mim.