Universidade Invisível
quarta-feira, agosto 09, 2006
  O ciúme lançou sua flecha preta
.

E eu, ego-
ísta,
rodeado em flores,
me noto, frígido,
em leito:
morri de amores.
.
Meu amor é egoísta, repleto de paixões tristes. Consumo-me-consumO. é MEU amor. E é como se me lembrasse da coisa que mais nega o Humano e resolvesse aplicá-lo perfeitamente. Eu sou o meu EGO, e meu amor se mostra serpente em pele de cordeiro. O ódio reflete a submissão do odioso, meu desespero, meu pranto. Me nego a viver de EGO; estou morto, morto de amores. Meu ciúme, meu auto-capataz, eu-caçador de mim, procura-se, eu-serpente de mim.
 
Comments:
O texto, a coragem, a vergonha-na-cara, auto-percepção, falta de cautela e honestidade admiráveis. Sentimento desprezível. O ciúme só tem razão para você, EGO! Faça qualquer coisa mas nao se suporte sentindo isso. E vale até romper relaçoes, vale pela sobrevivência.
 
Não suporte o ciúme...?
Não suportamos JUNTOS o ciúme.
 
Puts Jon, não sei vale até romper uma relação. É que não sei também qual o tipo de ciúme e relação que você quer dizer; e se estamos falando da mesma coisa. Ciúme é sim uma coisa escrota, talvez a pior coisa que já senti. Nenhum outro sentimento consome tanto, corrói as coisas sólidas e bota em seu lugar uma ira inexplicável. Bom, nem tanto inexplicável; ele tem razão pra mim sim, e como um Ego, igual você disse. Isso é o ciúme... deve ser eliminado sim, mas às vezes é impossível. As razões que eu tenho para sentir ciúmes são muito racionais, são construções, mas existem; não senti nada de diferente, mas vejo as coisas que podem me causar esse ciúme. E também não sei se é ciúme a palavra correta para definir isso que eu to sentindo. Porque sempre dizem que o ciúme é saudável, ou que é doentio. Não me importa isso, e nunco vou vê-lo como saudável, nem condenar o ciumento de doente. O lance é ver as razões, racionais no caso, e resolvê-las da maneira mais paciente possível, sem pressa de parar de sofrer. Resolvê-las aqui seria em conjunto com quem faz parte na minha cabeça desse ciúme, que é essa moça aí de cima. E resolver isso seria resolver tudo, meu (so meu ), dela (só dela) e nosso (da relação entre eu e ela). Por isso não tenho pressa de sair disso, mas tenho pressa sim em começar, o que de fato não aconteceu.
 
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De um lado o concreto, de outro, a imaginação livre. Mas veja: aqui não há esperanças; subimos em árvores e montanhas de fato; há simplesmente uma casa muito engraçada, não tem teto, nem nada; Nada, na tal casa, possui o teor da verdade; apenas um teor suficiente para perceber que aqui há um diálogo e não um discurso.

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