"Embora tudo oprima meu peito, meu coração bate na estrela mais distante !"
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Mais uma anotação encontrada de um estudante da
Universidade Invisível.
As 5 primeiras linhas foram um pouco difíceis, depois, uma maravilha. Sofreu influências, e muito mais que isso, de Moraes Moreira, Picasso, Cruzeiro Seixas, José Saramago, Joseph Brodski, Paulo Freire e Homem da Montanha.
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.Por si só, a realidade não vale nada. É a percepção que dá sentido à ela. Existe uma hierarquia entre as percepções e os sentidos. As mais refinadas e sensíveis figuram no topo. Refinamento e sensibilidade se originam na única fonte possível: a cultura, cujo instrumento principal é a linguagem. A avaliação da realidade feita através de um prisma como este – a cultura – é, portanto, a mais precisa; provavelmente, a mais justa. Mas a cultura da vez é o egocentrismo. Mais um dia, mais alguns atos, e a descrença no humano insiste em me despertar. Meu cotidiano metropolitano contribui, talvez por corroer minha paciência, talvez pelo caos que nos invade. Como resistir? E como não? Se esse mundo é irreal por não ter humanidade devo trazer essa humanidade pra cada ação que realizo. "Pequenas" e "grandes"... e não importa se trabalhando em um supermercado, numa sala de aula, no metrô/ônibus. Minhas forças estão no significado que dou às coisas que faço; e isso ninguém me tira ou pode invadir. Embora tudo oprima meu peito, meu coração bate na estrela mais distante. Se tiram a realidade, devolvo pelas mesmas brechas.
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A esperança me move sim, mas não muda minha realidade. Todo o meu esforço canalizo para a vida. Não para o equilíbrio, não para as certezas. O que seria de nós sem as coisas que não existem? Caminho suportando nas costas todo o peso da desesperança, pois que a esperança, é ridículo, dramático, que a humanidade ainda precise de tê-la. Esperança em quê? Em remédios que curem? Em poemas que se dão de mão em mão? E as cartas sem resposta? E os becos sem saída? E um atropelando outros na saída de uma porta que abre? E a nova hipocrisia? E o deus-dinheiro que nos espreita a cada esquina? E a África? E a América Latina? E todas essas universidades e tantos analfabetos? Toda gente sabe a extensão da verdade: surpreendendo a paisagem esfomeada, o gatilho já não precisa do dedo de ninguém. O amor me move na vida, inverte a lógica cotidiana de uma grande metrópole desumana. Compartilhar, não competir. Porque não perder para essa lógica? Perco sim com qualquer um que competir. Melhor perder uma disputa que assinar nosso atestado de óbito; meu e teu, nosso. Isso não é o que rege o mundo, por isso, muito amor... isso não é o que rege o mundo nas vidas e consciências, mas a verdade é maior que a vida: e o individualismo mata todo o mundo, inclusive o individualista. Não é humano, nem pra minha vida, nem pra tua! E o amor é dessas coisas que não existem, é preciso fazê-lo existir. A esperança nem chega a ser gerada, é realizada: o amor dá conta de todo meu ser, inteiro. Caminhante, não há caminho... mas há pernas!
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Às vezes canso e me deixo levar pela desumanidade; percebo, e quero sumir da metrópole, mergulhar na casinha de campo introspectiva e prezar o silêncio: eu não páro, nunca... não há sentido em render minha humanidade e doá-la a sei lá quem seja. Eu sou amor da cabeça aos pés e assim caminho, mesmo fadado ao fracasso. Busco manter minha essência acesa, e minha essência é esse amor.
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O desbarato mais absurdo não é o dos bens de consumo, mas o da humanidade: milhões e milhões de seres humanos nasceram para ser trucidados pela história, milhões e milhões de pessoas que não possuíam mais do que as suas simples vidas. De pouco ela lhes iria servir, mas nunca faltou quem de tais miudezas se tivesse sabido aproveitar. A fraqueza alimenta a força, para que a força esmague a fraqueza.
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Sempre tenho um pouco de receio dos "grandes mestres" da "arte" ou de qualquer coisa... mas no fundo são todos pequenos-grandes homens. Acredito até que os pequenos é que são os verdadeiros poetas, aqueles que percebem que suas vidas são obras, e suas.
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Hoje na Universidade Invisível vimos que uma obra de arte deve levar um homem a reagir, sentir sua força, começar a criar também, mesmo que só na imaginação. Ele tem de ser agarrado pelo pescoço e sacudido; é preciso torná-lo consciente do mundo em que vive, e, para isso, primeiro ele precisa ser arrancado deste mundo. Nossas camisas são cortinas, senhoras e senhores, ali atrás começa o espetáculo da verdade e do re-conhecimento, que carrega a re-construção. Abra teu peito, o meu e o deles; ali há sempre a verdade. Ela é maior que a vida, acreditemos ou não. Doloroso, isso? Eu diria libertário...
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xx/xx/2xxx.
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Xxxxxx, da UnIn. "