Mulher, vou dizer quanto eu te amo
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Mulher, vou dizer quanto eu te amo
cantando a flor que nós plantamos.
Que veio a tempo,
nesse tempo que carece
dum carinho, duma prece
dum sorriso, dum encanto.
Mulher, imagina o nosso espanto
ao ver a flor
que cresceu tanto.
Pois no silêncio, mentiroso,
tão zeloso dos enganos;
há de ser pura.
Como o grito mais profano,
como a graça do perdão.
E que ela faça vir o dia
dia a dia mais feliz;
e seja da alegria
sempre uma aprendiz.
Eu te repito
este meu canto de louvor
ao fruto mais bendito
desse nosso amor.
Ó pedaço de mim,
Ó metade amputada de mim,
Leva o vulto teu,
Que a saudade dói machucada.
enfim,
à tentação das nossas bocas
cruas,
e mergulhamos no poço escuro
de nós.
(TRECHOS DE CHICO BUARQUE)Era um tal de podar-me, à prova de nada. D´umas almas que não sabiam da graça; que guardavam a feminilidade onde não cabia, e não sabiam que guardavam. Até que um santo, mudo, me grita: "essa não é disso!". É um tal de sentir, de chorar e sorrir, de querer sofrer de amores, de amar até explodir, de, a cada beijo, querer expandir-me, de, pelo desejo, deixar-me invadir, por ela. Venha ver, venha ver, Eugênia, que bonito ficou! Venha ver, Eugênia, o jardim que plantastes em mim! Brotastes feito rosa, e mais: formosa, mesmo eu sendo inóspito demais. Pra minha vida, bastava a simples alegria de uma fosca margarida. Que seja fosca, fraca, mas és flor! E mesmo que fosses fosca, mesmo que fraca... és flor, e brilha. Que bela! Que linda! Onde está tanta beleza? Onde está, que em mim não cabe? Com que regas essa flor? Já chega de tanto, que eu te quero tanto; só mesmo me ajuda o canto, que não posso mais te dizer o quanto. Que o tempo não alivia, que o tempo não se dá conta de como podes regar.