Universidade Invisível
segunda-feira, abril 17, 2006
  O SEU AMOR, AME-O E DEIXE-O livre para amar, ir aonde quiser, brincar, correr, cansar, dormir em paz, ser o que ele é.



O Quarto em desordem
(Carlos Drummond de Andrade)

Na curva perigosa dos cinqüenta
derrapei neste amor. Que dor! que pétala
sensível e secreta me atormenta
e me provoca à síntese da flor

que não sabe como é feita: amor
na quinta-essência da palavra, e mudo
de natural silêncio já não cabe
em tanto gesto de colher e amar

a nuvem que de ambígua se dilui
nesse objeto mais vago do que nuvem
e mais indefeso, corpo! Corpo, corpo, corpo

verdade tão final, sede tão vária
a esse cavalo solto pela cama
a passear o peito de quem ama.

Mesmo no silêncio e com o silêncio, dialogamos. Assim é nosso amor; assim desse jeitinho meu e teu, por amar e ser o próprio amor em nós e em nossos nós. Se nada substitui a segurança das palavras, falemos. É que não sabemos, ainda, de que é feito tanto amor; mas que tanto amor não é tonto. Sempre acaba em corpo, sim; fazemos amor, forma de expressão. Nosso amor é uma arte; por sobre os corpos estão as almas, e as tocamos; mas se nada substitui a segurança das palavras, falemos.
TEXTO QUASE INFANTIL

Somos dois
cada-uns que sentem um
amor-criança,

sem padrões e patrões etimológicos
um certeiro amor que dança
aqui e aí, dentro,
de um jeito que não há rejeito.

Dança,
meu amor!
Dança, aqui e aí...
cada um sua canção,
juntas almas crianças.

Ainda não sabemos
ô amor; se és palavra,
me grite! Sem olvidos
que não te amo só
quando me amas
e não me ames só
assim, escrito

e oficial.
Amor-criança é marginal
e me faz chorar só pela beleza
de minhas próprias lágrimas
encantadas
de sua leveza, criança,
e teu passo de dança.

E nada detém a força
da lágrima
da criança.
Deixe estar
como é já que é
o que somos.


 
Comments:
"Não acredito no amor, acredito nos corações(...)"

êêê amor-criança... nasce, cresce e se reproduz. Morre?

Beijos e abraços Dú!
 
Morre, claro que morre!! Mas junto comigo!
 
Declaro meu amor a você, lindo. E as palavras também. Só pra escancarar o ponto fraco, que é também o forte.

Acho que o Jorge repete tanto que ama, pq com um só nunca dá pra acalmar o turbilhão.
Eu te amo, te amo, te amo..
 
só repetindo porque não deu pra ler:

"não acredito no amor, acredito nos corações (...)"
 
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De um lado o concreto, de outro, a imaginação livre. Mas veja: aqui não há esperanças; subimos em árvores e montanhas de fato; há simplesmente uma casa muito engraçada, não tem teto, nem nada; Nada, na tal casa, possui o teor da verdade; apenas um teor suficiente para perceber que aqui há um diálogo e não um discurso.

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