Sobre a Saudade, sua Lealdade e Sublimação...
É a dor da alegria.
Um não-lugar instalado
em teu peito;
que infla, explode,
não rompe, corrói.
Um tumor benigno
de um vírus parasita
que invade pós-euforia:
Foi muita alegria, muita magia;
Vivestes demais a vida, menina.
Vida como devia ser,
e agora, abandonas
como ela é.
Não,
não chores...
Saudade é lealdade
a si.
Uma dorde parto
ou aborto?
Uma dor de alegria,
viveste demais a vida,
menina.
Esse amor que mata
quem ama
sempre morre
de saudade
ou de amores.
Saudades antecipadas!? Efeito placebo da saudade... saudade é um parasita; que se utiliza de uma coisa pequena de um grande momento para se infiltrar no nosso peito, pequenininha, sem precebermos. Por exemplo aquele carro cruzando a Paulista com uma listra amarela exatamente igual à cor do prédio da tua avó; um cheiro de um 'x' que passa trazendo à lembrança o perfume dela/e; a tampa da privada que busca no fundo da cabeça o vestido longo e estranho da nerd da FFLCH. Saudade se esconde em qualquer coisa singela. Traz com a listra amarela a liberdade do momento na casa dela; saudade, nostalgia da alegria. Porque dói?! Aí ecoa, lá dentro! Se instala, cresce, agiganta-se. Mas veja o lado bom, a ironia, que poesia; saudade é um sentimento muito leal... primeiro porque não aparece em qualquer beldade: só sente saudade quem sentiu a vida além da sua capacidade; segundo, porque matar a saudade é o maior gozo do mundo; e terceiro blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá...
Dime por favor cual es la noche
En que no vendrás para velar mis sueños...
Que no puedo vivir porque te extraño
y no puedo morir porque te quiero.
(Jorge Luis Borges)
As saudades me consomem, por amar e querer bem.