Universidade Invisível
quinta-feira, abril 13, 2006
  Sós: as mães, os meninos, as crianças, os homens e os loucos. Só os palhaços...


Só as mães são felizes,
na cegueira que prezam;
Só meninos não choram,
pelo falo que trazem;
Só crianças peladas,
pela inconsciência que nascem;
Só os homens são homens,
pela força que fazem;

Só os loucos são sós.
Só no mundo criado,
dito realidade.

Ridículos;
Só palhaços são livres,
no descaso que vivem.

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Palhaço
(anônimo italiano)
Quando eu era jovem, eu pensava que com a arte seria possível mudar o mundo. Eu buscava constantemente um espetáculo que pudesse despertar no coraçăo do público uma esperança. Eu queria mostrar uma maneira diferente de viver, com mais amizade, criatividade, sem a obrigaçăo de perseguir o dinheiro e o poder. Ilusăo fútil que eu nunca consegui alcançar. Năo só a revoluçăo năo chegou, como as pessoas se tornaram cada vez mais loucas e materialistas. Quando eu me dei conta disto eu vivi momentos difíceis pensando; pensando inclusive que minha vida era um fracasso e que todo esforço era inútil.
Mas um dia eu tive uma revelaçăo: se năo se pode mudar o mundo, pelo menos é possível mudar a si mesmo, encontrar algo em seu coraçăo, um desejo, uma necessidade e entregar-se totalmente a ele, sem olhar para trás. Isso năo é para a sociedade ou para os outros, năo, é para vocę mesmo.
E eu fazendo esse palhaço que eu sou, eu encontrei essa coisa. Provocar, burlar e fazer o público rir. Isso era tudo o que eu buscava em minha vida. Por certo eu năo mudava o mundo, mas os palhaços nunca mudaram o mundo, passam o tempo tentando sem nunca conseguir, por isso săo palhaços.
Os palhaços gostam do fracasso e das açőes ineficazes, săo perdedores alegres e isto é a verdadeira força que tęm, nunca se cansam de perder. Desfrutam de cada fracasso e voltam em seguida a fracassar de novo, diluindo assim as certezas das pessoas sérias e que nunca duvidam.
Entăo, esse sangue que pareço ter na minha cabeça, esse sangue que tenho sobre a minha camisa, esse sangue que tenho no meu coraçăo, esse sangue que está todo em mim é tăo patético e inútil em seu simbolismo porque é sangue de um palhaço. Um sangue que năo vem de uma grande luta ou em nome de uma causa heróica. É sangue de brincadeira, ao mesmo tempo verdadeiro e pouco importante.

Só palhaços são livres,
no descaso que vivem.
 
Comments:
Alice no pais das maravilhas quer muito te ocnhecer
 
tchunka cachn ka tchunka canchunka
 
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De um lado o concreto, de outro, a imaginação livre. Mas veja: aqui não há esperanças; subimos em árvores e montanhas de fato; há simplesmente uma casa muito engraçada, não tem teto, nem nada; Nada, na tal casa, possui o teor da verdade; apenas um teor suficiente para perceber que aqui há um diálogo e não um discurso.

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