Desvalorização de todas as "paixões tristes" em proveito da alegria.

Trecho do livro de um comentador de Espinoza:
"Espinoza, ao longo de toda a sua obra, não cessa de denunciar três espécies de personagens: o homem das paixões tristes (ESCRAVO); o homem que explora essas paixões tristes (TIRANO), que delas necessita para estabelecer o seu poder; o homem que se entristece com a condição humana e as paiões do homem em geral (SACERDOTE, que tanto pode zombar como indignar-se, mas não deixando a própria zombaria de ser um mau riso); há ainda o HOMEM LIVRE, que é definido por se excluir de todas essas outras definições: fora deste círculo de pensamento sobre as paixões tristes. Sobre a relação Tirano-escravos: "O grande segredo do regime monárquico, e o seu interesse profundo, consiste em enganar os homens, disfarçando, sob o nome da religião, o temor a que se quer sujeitá-los; e de tal modo que estes combatem pela sua servidão acreditando buscar o contrário, sua liberdade". É que a paixão triste é um complexo que reúne o infinito dos desejos e a confusão da alma, a concupiscência e a superstição."O mais zelosos em abraçar qualquer espécie de superstição são inevitavelmente os que mais imoderadamente desejam os bens exteriores". O tirano necessita da tristeza das almas para triunfar, tal como as almas tristes (escravos) necessitam de um tirano para se acolherem e propagarem". O que de qualquer modo os une é o ódio à vida, o ressentimento contra a vida. Em Espinoza há efectivamente uma filosofia da "vida": ela consiste precisamente em denunciar tudo que nos separa da vida, todos os valores transcendentes (a moral que obedecemos socialmente) que se orientam contra a vida, unidos às condições e às ilusões da nossa consciência."
(outro trecho será postado em breve)
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Onde se encontram os tiranos, os escravos, os sacerdotes e os homens livres nas relações humanas cotidianas?