Universidade Invisível
quinta-feira, junho 08, 2006
  Caleidoscópio.



A Multiplicidade do real
(Paulo Leminski)

Que existe mais, senão afirmar a multiplicidade do real?

A igual probabilidade dos eventos impossíveis?

A eterna troca de tudo em tudo?

A única realidade absoluta?

Seres se traduzem.

Tudo pode ser metáfora de alguma outra coisa ou de coisa alguma.

Tudo irremediavelmente metamorfose!


O escritor vive.
Ninguém é escritor das oito ao meio-dia e das duas às seis. Quem é poeta é poeta sempre, e se vê continuamente assaltado pela poesia. Assim como o pintor é assediado pelas cores e pelas formas, assim como o músico se sente procurado pelo estranho mundo dos sons (o mundo mais estranho das artes), o escritor deve pensar que tudo é argila, com que fará da miserável circunstância de nossa vida alguma coisa que possa aspirar à eternidade.
(Jorge Luis Borges)
 
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A Perfeição

O que me tranqüiliza
é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete não transborda nem uma fração de milímetro além do tamanho de uma cabeça de alfinete.
Tudo o que existe é de uma grande exatidão. Pena é que a maior parte do que existe com essa exatidão
nos é tecnicamente invisível. O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas. Nós terminamos adivinhando, confusos,
a perfeição.
Clarice Lispector
 
quatro meses de amor atemporal.
amor infinito e sem medida.
revolucionário mas verbalmente indefinível.
os primeiros meses de vida conjunta, do resto da minha vida.
Te amo (foda). Pra sempre. Meu homem, lindo.
 
Será que por isso que os melhores escritores são aqueles que tem muita desgraça acontecendo na vida e disso nasce sua arte?
 
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De um lado o concreto, de outro, a imaginação livre. Mas veja: aqui não há esperanças; subimos em árvores e montanhas de fato; há simplesmente uma casa muito engraçada, não tem teto, nem nada; Nada, na tal casa, possui o teor da verdade; apenas um teor suficiente para perceber que aqui há um diálogo e não um discurso.

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