
Memórias Modestas
(Luiz Melodia)
Se ando triste, mal, desconfiado
Desvairado, com cara de santo
Podes crer, meu bem
Que santo é um santo
Se choro franco, falo um pouco antes
Olha, eu falei bastante
As pessoas que eu amo
Eu amo bastante
Por isso canto
Santo é um santo
Nova imagem a respeitar
Eu conheço o homem, o lobisomem
A moça linda vive a pensar
Chuvas vão cair
A chuva molha tanto
Chuvas vão cair
Meu bem, meu Deus
E molham tanto
Eu falo, falo, falo que não falo nada
Eu mostro, tanto mostro que sou santo
nada.
Caía o mundo, e eu amando. Caminhando, resignado, na chuva que me vale. Enchurradas largas, passos já curtos, ir aos beijos e abraços longos; eu sentia forte. As pessoas que eu amo, eu amo bastante. As chuvas caem, não molham; nada sinto na pele, só beijos futuros. Futuro é cobertura, o guarda-chuva, pós 15 minutos de pé d´água, chutando violentantamente meu corpo. E eu amando; seco, mas molhado, mas seco. Chuva caindo; eu não sentindo. O pôr do sol vai renovar, brilhar de novo meu sorriso, e libertar da areia preta, do arco-íris cor de sangue. "O Sol não adivinha!?". Libertar do vermelho, cor de sangue... mas o sangue é a cor do amor. Meu Deus, descolou minha retina. E eu amando... igualando meu gosto: o seco, o molhado, o seco ou o molhado, eu amando. Andando avuado, os duros continuam caminhando; só os duros, e eu, claro,
resignado.